Comecei a olhar para a minha cama de manhã e, como que alertado por um grito, descobri o meu próprio reflexo.

Este corpo de trabalho revela uma particular situação existencial que vivi, durante um determinado período de tempo. Foi marcada pela ansiedade consequente de uma vertiginosa realidade e de uma nova lógica social e conduziu-me a uma relativa perca de auto confiança.

Nesse período comecei a sofrer de insónias e passado algum tempo reparei que, de manhã, a minha cama, espelhando o conflito em que me encontrava, acordava todos os dias totalmente desmanchada e todos os dias de uma maneira diferente. A fotografia diária que então comecei a fazer ao acordar veio a revelar-se uma verdadeira terapia.

Assim e, pela primeira vez no meu percurso profissional criei, inconscientemente, o objecto do meu trabalho. O resultado foram 300 fotografias tiradas em 300 dias consecutivos, que não pretendem apenas mostrar o aspecto da minha cama mas, principalmente, o meu estado de espírito nessa altura.

Este trabalho com 3,60m de largura e 2m de altura esteve exposto na feira de arte de Berlim, Berliner Liste 2013.