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    Durante o verão de 2016 fotografei, permanecendo sozinho diariamente, o Presídio da Trafaria, uma antiga prisão política em frente a Lisboa, entretanto abandonada e de onde saiu o último recluso em 1975. Ao fim de algum tempo comecei a sentir que me estava a ligar eu próprio àquele espaço sinistro, ao interiorizar a carga emocional que carregavam as longas alas de celas, deixadas ao abandono. As paredes dessas celas foram-se revelando progressivamente, como por magia, deixando-me descobrir um universo de alucinação, próprio de quem está encarcerado, muitas vezes torturado e confinado àqueles espaços claustrofóbicos, durante longos períodos de tempo.

    Este é um projecto de representação, simultaneamente, do real e do imaginário. De um percurso selectivo do olhar que, a partir de um contexto existente e de uma forma objectiva, dá mais importância a um ou outro pormenor, elegendo-o para uma nova vida ao torná-lo autónomo. Mas também de um processo subjectivo que, ao destacar formas retiradas de um todo, as transforma em coisas que podem ser identificadas diferentemente por cada observador.